A técnica videolaparoscópica para o tratamento da hérnia inguino-crural tem-se difundido rapidamente, nos últimos anos. Mas ainda encontra como grande obstáculo os custos relacionados aos materiais especiais e ao tipo de procedimento anestésico utilizado. Talvez o maior responsável por este aumento no custo seja o uso do grampeador endoscópico, utilizado para fixar a tela no orifício miopectínio de Fruchaud. Apesar das evidências quanto a possibilidade da não fixação, alguns cirurgiões, como eu, se sentem mais seguros ao fixar a tela. Uma alternativa a fixação clássica com grampos (traumática) é o uso de adesivo tissular (cola cirúrgica).

As colas são compostas por monômeros que se polimerizam ao entrar em contato com soluções iônicas. A principal característica da fixação não traumática é a diminuição da dor aguda sem aumento da recidiva. Mas além disso apresenta uma grande vantagem em relação a fixação traumática e a não fixação:  a viabilidade de fixar a porção da tela sobre os triângulos de Doom e da dor. Ou seja, diminuem ou impedem a possibilidade de deslocamentos inadvertidos da tela, situação que podem ocorrer tanto nas fixações traumáticas quanto na não fixação. Talvez somente estas duas características já justificassem o seu uso. Porém a cola apresenta um outro diferencial importantíssimo: redução de custos.

Na realidade em que trabalho, a cola cirúrgica chega a custar um terço do preço de um endogrampeador. Mas é claro que tem suas desvantagens. A principal é a dificuldade na sua aplicação. Além das constantes obstruções do cateter, que ocorrem no início da experiência com o método, não é fácil colocar uma gota de cola no teto da região inguinal (lei da gravidade). Porém com o tempo aprende-se a contornar estas dificuldades e os resultados em relação a dor aguda e a possibilidade de seu uso nos triângulos de Doom e da dor, me parecem extremamente recompensadores. Não tenho dúvida que a indústria irá encontrar soluções técnicas para resolver estas dificuldades relacionadas ao manuseio da cola como método de fixação, algumas já estão disponíveis na Europa. Mas que estas soluções não retirem a competitividade da cola em relação aos custos.

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Autor:  O Dr. Gustavo Soares é cirurgião do aparelho digestivo, formado pela UFMG
Cirurgião do Aparelho Digestivo e Cirurgia Minimamente Invasiva do Hospital Santa Mônica em Divinópolis-MG. Cirurgião Geral do Instituto de Cirurgia Robótica Ciências Médica – Belo Horizonte MG.Faz parte da equipe 1º Serviço de Medicina Robótica BH, da Capital.

Cirurgião do Aparelho Digestivo com Título de Especialista (AMB)
Cirurgião Geral com titulação reconhecida pelo CFM (MEC)
Cirurgião Vídeo-laparoscópico com titulação pela (SOBRACIL)
Cirurgião Robótico certificado para plataforma DaVinci SI
Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva; CBCD
Membro Titular da SOBRACIL
Membro Sociedade Brasileira de Hérnia e Parede Abdominal; SBH
Member Americas Hernia Society – AHS
Member Society of Laparoendoscopic Surgeons – SLS

 

Tags: cirurgia,roboticabh,abdômen,gustavosoares,cirurgiarobóticabh, herniorrafiainguinal.lapparoscopia

 

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